Ser mulher é não se entregar

Ser mulher é não se entregar

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Muito se fala no mês de setembro, sobre um mal que tem crescido a cada dia mais em nosso meio. Setembro amarelo, é o mês de prevenção ao suicídio. Um mal que tem ganhado espaço na sociedade e que não tem escolhido raça, idade, sexo, posição social nem mesmo estabilidade financeira. O que mais temos ouvido nas notícias são casos de pessoas que tem desistido da vida, de lutar e de tentar por apenas mais um dia que seja.

O que tem acontecido? Porque a cada dia tantas pessoas tem desistido de lutar? Será que realmente pôr fim à vida seria a resolução de todos os problemas? Eu vi uma entrevista na internet, com uma jovem esposa, agora viúva, a contar sobre o suicídio de seu esposo. E ao ouvir seu relato, meu coração doeu muito, pois ela ainda jovem, ficou com 3 crianças pequenas e está a buscar uma esperança para continuar. E enquanto a ouvia, estava pensando, será que realmente os problemas daquele esposo que, desistiu de viver acabaram? Ou será que foram apenas transferidos para outras pessoas?

Quando uma pessoa age assim, apenas acarreta uma carga pesada demais àqueles que estão ao seu redor. Não quero com isso julgar as atitudes e as razões que levaram a pessoa a tomar tal decisão, mas realmente precisamos pensar sobre este assunto. Principalmente quando se trata da mulher ficar sozinha e assumir toda a responsabilidade da família, da casa, dos filhos, do trabalho, etc. Nestas horas, é necessário não se entregar, mas buscar em Deus a saída e a solução para continuar.

Vemos como isso é possível, ao estudarmos a vida do rei Davi. Apesar de ser rei, a vida dele nunca foi fácil. Davi passou por diversos problemas em diversas fases de sua vida e ao lermos alguns salmos, percebemos que ele também tinha sintomas de depressão e que, muitas vezes pensou também em desistir. Veja o que ele declarou em oração:

1 Inclina, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração e não te escondas da minha súplica.
2 Atende-me e ouve-me; lamento-me e rujo,
4 O meu coração está dorido dentro de mim, e terrores de morte sobre mim caíram.
5 Temor e tremor me sobrevêm; e o horror me cobriu.
6 Pelo que disse: Ah! Quem me dera asas como de pomba! Voaria e estaria em descanso.
7 Eis que fugiria para longe e pernoitaria no deserto.
16 Mas eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará.
17 De tarde, e de manhã, e ao meio-dia, orarei; e clamarei, e ele ouvirá a minha voz.
18 Livrou em paz a minha alma da guerra que me moviam; pois eram muitos contra mim.
22 Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado.
23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue e de fraude não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.
Salmos 55:1,2,4-7,16-18,22,23 ARC

Que grande exemplo de confiança e perseverança Davi nos dá. Ele não ignora seus problemas, pelo contrário, não se envergonha de falar deles, de seus temores e medos. Mas ele também nos deixa a receita para vencermos, sem repassarmos nossos fardos para as outras pessoas. Vejo no exemplo deste grande homem que, todos estamos sujeitos a momentos de depressão, mas que estes momentos só nos vencerão se nós permitirmos. Há esperança! Como eu disse, Davi nos deixou o “segredo”:

Ele diz: “Oro de manhã, ao meio dia e a tarde”.

Precisamos saber que Deus sempre está disposto a nos ouvir, só é necessário entregar a Ele nossas preocupações, aquilo que tem tirado nossa paz, que tem sufocado nossos sentimentos, pois como declara o salmista, “Ele levará o peso de nossos problemas”.

Não precisamos carregar o peso sozinhas, podemos dividí-lo com Deus. Seus ouvidos estão sempre abertos para ouvir-nos. Não se preocupe demasiado, nem se entregue aos sentimentos negativos. Saiba que pode sempre contar com Deus e aqui na Terra com familiares, amigos e também a família de Cristo (Igreja) que está sempre disposta a ajudar. Portanto, se pensar em desistir, se achar que o fardo está a pesar demasiado, podes sempre contar com alguém de sua confiança, alguém que você acredita que estará sempre pronto e disposto a ajudar. Afinal, ser a mulher da Palavra é não desistir e tudo fica mais fácil se temos com quem contar.


Luciana Dutra Machado

Sou esposa do Leandro, pastoreamos uma Igreja e temos dois filhos João e Pedro. A escrita é onde consigo ser eu mesma, é uma forma de expressão única que toca a vida das pessoas mesmo sem conhecê-las.