Ruivinha - por Márcia Soares

Ruivinha - por Márcia Soares

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Olá! O meu nome é Márcia Soares, sou brasileira, moro no interior de Minas Gerais-Brasil e hoje vou compartilhar um pouco da história da minha Ruivinha, que vocês conhecem como Bruna Duarte.

No ano de 1995, aos 10 anos de idade, lá vem a minha filha, a Ruivinha com fama de brava e com apelido de Mônica, me passando um grande susto no centro da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Nós estávamos voltando do dentista, com as suas duas irmãs mais novas, e ela teve a sua primeira “ausência”, que a fez parar no meio de uma avenida super movimentada, onde o sinal abria rapidamente. Fiquei literalmente em pânico!

A partir daí, ficamos de olho. O pai dela começou a pensar que era coisa da idade, mas eu, como tinha a honra de poder ficar em casa com as minhas filhas, tinha a oportunidade de a observar mais de perto, já que o pai trabalhava muito.

À medida que as crises de "ausências" foram aumentando, logo resolvemos marcar uma consulta com um neurocirurgião. E foi uma longa pesquisa entre exames e consultas até que foi diagnosticada com "ausências", que na verdade era como se ela se desligasse involuntariamente, ou seja, ela parava tudo o que estava fazendo durante alguns segundos e depois voltava novamente sem se lembrar de absolutamente nada do que tinha acontecido enquanto esteve "ausente". A princípio, o tratamento seria simples, mas não teve bons resultados.

Então, começamos uma luta muito grande atrás de médicos e cada vez ela tomava mais medicamentos, e quanto mais medicamentos, mais crises ela tinha.
As crises que eram rápidas com duração de segundos, já começaram a passar para minutos. Não adiantava tentar “acordá-la” porque ela realmente não estava ali e tudo foi-se agravando.

Desde o início, os médicos recomendavam que ela não deveria sair sozinha de casa, nadar, andar de bicicleta, etc. E é exatamente nessas horas que eu digo, como é bom ter irmãos! A sua irmã mais nova, Aline, foi a sua “cuidadora”, literalmente, e dedicou-se a sair para acompanhá-la por onde fosse preciso. Carinho não lhe faltou em nenhum momento e a Aline voltava feliz para casa quando a nossa querida Ruivinha não “voava”.

Graças ao nosso poderoso Deus nunca nos faltou recursos para o tratamento dela, até mesmo no Rio de Janeiro pedimos socorro, mas sem sucesso. O mais precioso desta história é que a nossa Ruivinha nunca se isolou, pelo contrário, enquanto eu e o pai dela pensávamos em tirá-la da escola, ela participava de todos os eventos, teatros, festas, etc. Nós recebemos muito apoio de toda a escola. Passamos por muitas situações constrangedoras, mas essa Ruivinha levantava, sacudia a poeira e dava a volta por cima.

Por várias vezes, ela me pedia para parar com os medicamentos, pois sentia-se dopada. Aliás, ela tinha essa aparência mesmo. Os anos foram passando, a idade da adolescência chegando e o meu medo crescia quando fosse a hora de aparecer algum namoradinho e ela quisesse sair mais com as amigas e etc...

Foram muitas orações e jejuns para enfrentar o tamanho do desespero, médicos eu perdi a conta de quantos foram, e muito dinheiro também foi gasto procurando um tratamento adequado ou a cura desse diagnóstico. Até que conversamos com um grande amigo sobre o caso e ele recomendou um médico, com o qual rapidamente conseguimos marcar uma consulta. Confesso que já estávamos exaustos, mas a esperança e a fé nunca nos faltou!

Escrevi um relatório bem detalhado de todo o tratamento que ela já havia feito até aquele momento e levei no dia da consulta. O médico leu e releu várias vezes enquanto levantava os olhos por cima dos óculos e olhava para mim, outra vez olhava para Bruna. De repente ele disse: “Coitada da senhora!”. E nesse momento eu gelei, pensando que fosse vir uma má notícia. Então, ele continuou: “A senhora jogou muito dinheiro fora.”.

Esse médico foi uma grande benção nas nossas vidas, o diagnóstico estava claro, era realmente “ausências”, mas o tratamento estava totalmente errado. Ele disse que só existia um único medicamento que podia curar a minha filha, era esse ou nenhum. A minha resposta imediatamente foi: “Vai curar!”.

Seguimos o tratamento com os medicamentos que esse médico havia recomendado e a Bruna foi melhorando visivelmente, as crises foram diminuindo gradativamente, até ela ficar totalmente curada. Glória a Deus!

E depois de quase 4 anos, numa consulta de rotina no dia 05 de Maio de 1999 ela teve alta e já não tinha "ausências" há quase um ano e nunca mais teve absolutamente nada.

Foi uma fase muito difícil e a Bruna nunca deixou de ter o seu brilho em nenhum momento, nem mesmo enquanto ela estava “voando com uma borboleta”.

Ela fez natação, aprendeu a dirigir, namorou, casou, teve filhos e com a graça de Deus teve uma vida normal, com a saúde totalmente restaurada.

Agradeço imensamente a Deus que curou a minha Ruivinha e que nos proporcionou todos os recursos para o tratamento dela e a Aline pelos seus cuidados especiais com a sua irmã mais velha.


Meus pais enfrentaram muitas lutas para criar a mim e às minhas  irmãs e algumas dessas lutas acredito que a mamãe enfrentou sozinha, enquanto o papai estava em uma outra luta chamada trabalho, mas em todas elas o Senhor deu a vitória. Muitos detalhes desta história eu não me lembrava, até ler o que a mamãe escreveu aqui, e hoje, como sou mãe, posso imaginar como foi difícil para os meus pais. Obrigada mamãe e papai, por tudo! Amo vocês ontem, hoje e para sempre!

Bruna, Aline e Laís (meados de 2000) - Contagem-MG / Brasil
Ruivinha (Meados de 2000) - Contagem-MG / Brasil

Bruna Duarte

Fundadora e escritora do blog, fotógrafa, esposa do Diego e mãe da Sarah e Daniel. Uso as palavras para traduzir o meu coração e creio que elas podem alcançar lugares que os meus pés não podem chegar.